Transmissível é o VIH?

Pessoas que vivem com VIH e em tratamento eficaz não transmitem o vírus

i=i Indetetável é Intransmissível

Perguntas e respostas sobre Indetetável = Intransmissível

i=i significa “Indetetável é igual a Intransmissível”. Refere-se ao facto científico de que pessoas que vivem com o VIH e que mantêm uma carga viral Indetetável com tratamento não transmitem o vírus às parcerias sexuais.

Sim. A evidência i=i é resultado de uma investigação científica robusta, incluindo estudos de referência como os ensaios PARTNER (PARTNER 1 e PARTNER 2) e Opposites Attract, que demonstraram que o VIH tratado eficazmente é intransmissível. A evidência começou a ser construída em 2000, com o Rakai study, sendo retomado em 2011 pelo HPTN 052 trial. Em 2023, a Organização Mundial de Saúde fez uma revisão, estudo e validação do i=i.

Regra geral, consegue-se uma carga viral Indetetável com o tratamento antirretroviral (TARV). Sabe-se que se tem carga viral Indetetável quando se mede a quantidade de VIH no sangue (carga viral) e esta está abaixo do limite de deteção das máquinas usadas nas análises que pesquisam o VIH (Indetetável).

Se as pessoas que vivem com VIH param de tomar a medicação, permitem que o VIH se volte a multiplicar (carga viral aumenta) e assim podem voltar a transmitir o VIH por via sexual. Tão mais importante, ao pararem o tratamento não impedem que o VIH destrua as suas células de defesa imunitária, o que as torna suscetível a várias outras doenças e permite o desenvolvimento de doenças associadas à sida. As pessoas que vivem com VIH nunca devem parar de tomar a medicação sem consultar um profissional de saúde.

Esta situação é mais frequente nas pessoas que não fazem o tratamento antirretroviral conforme prescrito. Raramente acontece entre as pessoas que fazem o tratamento antirretroviral conforme prescrito e é uma situação normalmente associada a condições médicas que são detetadas e resolvidas atempadamente nas consultas de seguimento.

A monitorização regular e a adesão ao tratamento são cruciais para manter a supressão viral e, no caso de uma carga viral detetável, será precocemente identificada pelos cuidados de saúde para ser avaliada a possibilidade de alteração da terapêutica para voltar a uma carga viral Indetectável.

O tempo para atingir uma carga viral Indetetável varia de pessoa para pessoa. Com uma adesão consistente ao tratamento, a maioria das pessoas consegue reduzir a carga viral até ficar Indetetável entre um a seis meses. Porém a não transmissibilidade do vírus durante o sexo, ou i=i, só é atingida aos 6 meses com carga viral Indetetável mantida após o primeiro resultado de carga viral indetetável. Assim, o tempo necessário para que o i=i seja eficaz varia entre 7 meses a 1 ano após início do tratamento.

O i=i é um fenómeno global apoiado por evidências científicas. No entanto, o acesso aos cuidados de saúde, ao tratamento e à educação sobre o i=i pode variar consoante a localização geográfica, os fatores socioeconómicos e as atitudes culturais em relação ao VIH.

Sim, o i=i aplica-se ao sexo vaginal, anal e oral e sem preservativo. Desde que a pessoa que vive com VIH mantenha uma carga viral Indetetável, o risco de transmissão é zero.

O i=i aplica-se a qualquer pessoa que viva com VIH que esteja a fazer terapêutica antirretroviral eficaz , ou seja, capaz de manter uma carga viral Indetetável por mais de 6 meses após o primeiro resultado de carga viral Indetetável. É crucial cumprir o tratamento tal como prescrito para atingir e manter a carga viral Indetetável.

Não. Embora o risco de transmissão através da partilha de agulhas seja significativamente reduzido com uma carga viral Indetetável, é essencial utilizar estratégias de redução de danos, tais como agulhas e seringas esterilizadas para o consumo de drogas injetáveis.

Pode. O i=i aplica-se à transmissão sexual do VIH, mas o risco de transmissão através da amamentação ainda não é totalmente certo, embora vários estudos já indiquem não haver transmissão. Apesar disso, a Organização Mundial da Saúde lançou recomendações para que as mães com VIH pudessem amamentar de forma segura. As mães que vivem com VIH são aconselhadas a consultar os profissionais de saúde sobre as opções de alimentação mais seguras para os seus bebés.

Não, a não transmissão do vírus aplica-se apenas às pessoas que vivem com VIH e têm carga viral Indetetável com tratamento, o que por sua vez beneficia as suas parcerias sexuais.

A prevenção combinada é recomendada para qualquer pessoa independentemente do estatuto serológico para VIH, pois existem outras infeções sexualmente transmissíveis (IST) ou gravidezes não desejadas, às quais o i=i não confere proteção. Assim, para sexo mais seguro, por exemplo, pode ser importante combinar o uso com o preservativo, vacinas ou profilaxias.

Portanto, pessoas com serologia negativa para o VIH, devem adotar uma prevenção combinada para outras parcerias sexuais de estatuto serológico negativo, incerto ou desconhecido. Já as pessoas que vivem com VIH, continua a ser recomendado o uso do preservativo e outros métodos de prevenção de IST.

Para pessoas com diagnóstico de VIH, indetetáveis e intransmissíveis com o tratamento, devem adotar uma prevenção combinada para prevenir outras infeções sexualmente transmissíveis (IST).

Para pessoas com serologia negativa, incerta ou desconhecida para o VIH, devem manter testes regulares de VIH e outras IST, essenciais para manter a saúde sexual, tendo em conta que o VIH transmite-se devido a diagnósticos tardios e ao desconhecimento do estatuto serológico.

Além disso, as práticas de sexo mais seguro podem fornecer proteção adicional contra as IST e gravidezes não desejadas.

Sim. No relatório português Stigma Index 2.0, onde 90,3% dos participantes reportou ter carga viral Indetetável e 94,3% destes com carga viral Indetetável há mais de 12 meses, lê-se:

“nos últimos 12 meses, 4% dos inquiridos referem ter sido aconselhados (por profissionais de saúde da área do VIH) a não ter relações sexuais, 4% a não ter filhos, e 3 mulheres foram aconselhadas a interromper a gravidez, o que pode indicar que a mensagem i=i e o atual estado da arte no acompanhamento da gravidez, não estão ainda suficientemente divulgados e interiorizados ao nível dos profissionais de saúde, mesmo os que trabalham na área do VIH”.

Infelizmente, o estigma em torno do VIH persiste, incluindo ideias erradas sobre a transmissão. A educação e a consciencialização sobre o i=i são essenciais para alcançar zero estigma e promover a literacia em saúde.

A comunicação aberta e honesta é fundamental. As parcerias sexuais podem discutir o i=i como parte de uma conversa mais ampla sobre saúde sexual, incluindo testes, métodos de prevenção e apoio mútuo na gestão do VIH.

Revelar o estatuto de VIH e discutir o i=i com potenciais parceiros pode ser um desafio, mas é essencial para criar confiança e promover a compreensão mútua. Procurar o apoio de prestadores de cuidados de saúde, organizações de base comunitária, grupos de apoio e pares que vivam com VIH pode ajudar a navegar nestas conversas.

Todas as pessoas podem desempenhar um papel crucial na promoção da consciencialização, compreensão e aceitação do i=i nas suas comunidades e esferas de influência. Isto inclui a partilha de informações exatas, a contestação de conceitos errados e a prestação de apoio às pessoas que vivem com o VIH.

Profissionais de saúde desempenham um papel fundamental na educação sobre o i=i, na monitorização da carga viral, na adesão e retenção ao tratamento e no fornecimento de apoio e recursos para manter a supressão viral. O seu papel ativo na promoção da mensagem i=i é essencial para atingir zero estigma.

Numerosas organizações, grupos e plataformas online fornecem informações, apoio e recursos relacionados com o i=i. Estes incluem páginas web, linhas diretas, grupos de apoio de pares e materiais educativos.

O CAD Centro Anti-Discriminação VIH e Sida promove ações de formação para profissionais de vários contextos, desde a saúde ao social. Contacte-nos e agende uma sessão.

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